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28052013

Mercado do arroz ainda em valorização, mas com cenário futuro mais instável

Cereal alcança 4,13% de valorização em maio, mas queda nas exportações, aumento das importações, expectativa para os leilões do governo federal e varejo e indústrias reduzindo a demanda, já emitem sinais preocupante para o mercado nas próximas semanas

Na última semana de maio, com as colheitas gaúcha e catarinense finalizadas, os preços médios do arroz em casca no Rio Grande do Sul mantêm-se firmes, mas o cenário futuro é cada vez mais instável, com a expectativa de intervenção do governo federal com leilões de oferta. Outros fatores já começam a pressionar os preços do arroz no mercado interno, mostrando que o produto está chegando ao seu teto. O varejo começa a segurar as compras, não aceitando repasse integral da valorização da matéria-prima. Grandes indústrias estão saindo do mercado, operando apenas com produto em depósito e começando a apostar nas importações, especialmente do Paraguai, cada vez mais atraentes.

As operadoras internacionais não conseguem mais fixar contratos de exportação para 60/90 dias pela falta de uma referência de preços e a expectativa é para um fraco desempenho nos embarques de maio - em torno de 35 mil toneladas, segundo agentes de mercado. Apesar do Uruguai e da Argentina terem conseguido grandes negócios com Irã, Iraque e Venezuela nos últimos meses, é flagrante o aumento das importações, principalmente do Paraguai, pelos preços altamente convidativos do mercado brasileiro. Nos últimos dias um embarque de 13 mil toneladas de arroz “cargo”, foi cancelado por uma operadora internacional por falta de terminal de embarque e em função dos preços internos pouco competitivos.

Este cenário indica que o patamar de preços do arroz pode não ter suporte para manter-se firme por muito tempo, encontrando seu teto.

Nesta segunda-feira, 27, as cotações de arroz no Rio Grande do Sul acumulavam variação positiva de 4,13%, em patamar similar há uma semana, segundo o indicador de preços do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa (Rio Grande do Sul, 58% de grãos inteiros). O indicador alcançou valor de R$ 33,76, dois centavos abaixo dos valores do dia 17 de maio, passado. Na conversão em dólar, pelo valor desta segunda-feira, a saca equivale a US$ 16,42, ou 15 centavos de dólar a menos do que há 10 dias.

No mercado livre, o arroz gaúcho é cotado entre R$ 33,00 e R$ 34,00, em média, na maioria das praças, já com alguma oferta mais significativa, mas indústrias menos receptivas e buscando reduzir os preços nos negócios reportados. As variedades nobres, acima de 64% de inteiros, alcançam referencial de R$ 40,00 por saca no Litoral Norte, e R$ 35,00 a R$ 37,00 na Fronteira-Oeste, para o produto acima de 60% de grãos inteiros. Em Santa Catarina a saca vale, em média, R$ 33,00 no Sul do estado e R$ 34,00 a R$ 34,50 em Turvo. No Mato Grosso, as cotações seguem estáveis em R$ 36,00 por saca de 60 quilos para o grão acima de 55% de inteiros, com pressão de produto paraguaio e abastecimento suficiente para a indústria.

No Sul do Brasil os produtores se mantêm avessos a vendas em volumes mais significativos, com vendas fracionadas para buscar média de preços, mas a indústria também recuou, pela dificuldade em repassar a alta da matéria-prima ao varejo. O indicador Cepea chegou a retroceder parcialmente na semana que passou por conta deste movimento.

O cenário para o produtor de arroz começa a mostrar-se menos otimista a partir de junho, com a expectativa de que o governo federal lance os primeiros editais de leilão de arroz dos estoques públicos para regular a oferta no mercado. Além disso, o aumento das importações e a redução das vendas externas alteram significativamente o quadro de oferta e demanda, ampliando a disponibilidade de grão no País, e a pressão sobre os preços do cereal. Para piorar este cenário, a partir de julho começam os vencimentos de custeio, EGFs e dívidas do setor, o que normalmente aumenta a oferta de grão pelo produtor.

A comercialização da soja no primeiro semestre, logo após a colheita, se mostrou uma tática acertada para valorizar o arroz. Todavia, a valorização do mercado interno muito acima dos preços internacionais desequilibrou a balança comercial, e pode provocar uma inversão nas próximas semanas. Alguns analistas já consideram que os preços do arroz, por causa da oferta concentrada pelos produtores, governo e/ou importações, podem retroceder nas próximas semanas.

O ponto negativo seria a desvalorização, e o positivo seria a retomada das exportações na medida em que os preços baixem a patamares de R$ 31,00/R$ 32,00. Preocupante é o fato de o Brasil ter melhor desempenho nas exportações do primeiro semestre do ano agrícola, uma vez que as safras da Ásia e dos Estados Unidos, principalmente, entram em agosto/setembro. No segundo semestre, ao natural, o Brasil exporta menos pela maior oferta no mercado externo e preços menos competitivos. Em compensação, importa mais, principalmente do Uruguai e da Argentina.

E o cenário do mercado externo não é dos melhores, uma vez que a USDA projeta um aumento do consumo em 1,5%, mas prevê crescimento de 1,9% da produção mundial no ciclo 2013/14 e uma alta dos estoques internacionais de arroz em todos os continentes. No momento, as ameaças ao mercado nos próximos 60 dias são maiores do que a possibilidade de ele se manter firme.

Todavia, há analistas que acreditam que uma baixa das cotações pela concentração da oferta – somando vencimentos de custeio, EGFs e dívidas arrozeiras, mais os leilões de oferta da Conab e as importações – será temporária. No momento em que os preços caírem à paridade de exportação, preveem que o mercado deverá fortalecer-se e estabelecer nova curva de valorização no pico da entressafra, a partir do final de outubro. Mas, isso dependerá da expectativa para a próxima safra, uma vez que a partir de setembro próximo, já estarão tomadas as decisões sobre a área de cultivo. Se o Rio Grande do Sul mantiver ou diminuir levemente a área, o pico de entressafra poderá ser de valorização. Se aumentar, a expectativa de valorização no final do ano, bastante prematura, poderá não se confirmar.

Em junho, lideranças setoriais gaúchas irão ao Uruguai para participar de um evento e estabelecer negociações para que este país não concentre a oferta do arroz no Brasil em períodos de baixa dos preços internos. As tratativas serão desenvolvidas pelas cadeias produtivas, uma vez que a gestões junto ao governo brasileiro tiveram resultados pífios. Depois da queda do ministro gaúcho Mendes Ribeiro Filho, menores se tornaram as esperanças dos produtores de que o governo federal tome alguma medida neste sentido.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica cotações médias de R$ 33,60 para a saca de arroz de 50 quilos, em casca, no Rio Grande do Sul, com valorização de 10 centavos em 10 dias. O valor referencial para a saca do produto beneficiado, em 60 quilos, é de R$ 70,00, estável, uma vez que o varejo não está aceitando o repasse da alta da matéria-prima pelas indústrias. A tonelada do farelo de arroz colocado em Arroio do Meio/RS se manteve em estáveis R$ 350,00, uma vez que a boa safra de milho garantiu o abastecimento do setor de rações. Também estável é o preço do canjicão (60kg/FOB) em R$ 37,00. A quirera (60kg/FOB) valorizou 50 centavos nos últimos dias, para R$ 33,50.

Fonte: Planeta Arroz

 

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