Mudar site para idioma português Mudar site para idioma inglês Mudar site para idioma espanhol

Português

Informativos

  • HOME
  • - INFORMATIVOS

10042014

Nó logístico trava exportações de arroz

Há demanda por arroz gaúcho, mas prioridade no Porto são os embarques de soja

 A cadeia produtiva do arroz do Rio Grande do Sul está pagando caro pela falta de estrutura logística e de transporte para a exportação do cereal neste início do ano comercial 2014/15, que vai de 1º de março de 2014 até 28 de fevereiro de 2015. Segundo dirigentes de empresas exportadoras e agentes de mercado ouvidos nesta quinta-feira por Planeta Arroz, apesar de forte demanda pelo cereal em casca por tradicionais países importadores, o Brasil não está conseguindo exportar por falta de infraestrutura. Não há disponibilidade de datas ou espaço nos terminais do Porto de Rio Grande para o grão, pois a prioridade é o atendimento dos embarques e armazenagem da soja.   

O único terminal apto a exportar arroz e destinado para este fim é o da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), uma autarquia do Governo do Rio Grande do Sul. Contudo, a estrutura só pode ser usada para armazenagem e embarque de arroz beneficiado e no seu ponto de carregamento, o canal não tem profundidade para navios de grande calado. E a própria estrutura de carregamento está defasada, além da capacidade de estocagem ser considerada muito pequena. O diretor de uma das principais empresas exportadoras do cereal afirma que essa incapacidade logística afeta não apenas os resultados das exportações, mas a credibilidade dos negócios de arroz do Brasil. “Não conseguimos fidelizar um cliente pois há oscilações no câmbio, nos preços internos, na capacidade de embarque, no preço do frete até o porto, nos prazos de carregamento de um navio e uma gama de problemas que aumentam os custos, fogem completamente ao controle e nos retiram do mercado”, queixa-se.  

Segundo ele, há pelo menos sete anos o porto gaúcho vem alcançando níveis significativos de embarque arrozeiro, mas não há planejamento ou investimentos no sentido de assegurar as operações, especialmente quando o Rio Grande do Sul tem uma safra cheia de soja. Garante que o arroz é um produto marginal na hora de exportar e o Brasil perde boas oportunidades de mercado por falta de armazéns e, principalmente, terminais de embarque.   Embora considere que o País ainda tem chances de alcançar o volume de 1,3 milhões de toneladas (base casca) de arroz exportadas no período comercial 2014/15, conforme previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), alerta que a cada semana que passa, aumenta o risco deste número não se confirmar. “Temos demanda, temos produto, temos qualidade. Não temos como embarcar e sofremos com uma enorme gama de obstáculos para chegar da lavoura ou da indústria aos navios”, sentencia.  

FRETE
Outra queixa dos exportadores é a alta do custo do frete para Rio Grande por falta de caminhões. Com a safra de soja e milho, há maior demanda do que oferta de transporte. E o frete subiu em até 30%. Como boa parte dos produtores da Zona Sul já aprendeu a segurar a oferta na safra para buscar melhores preços, algumas exportadoras estão buscando arroz até mesmo na Fronteira-Oeste, a origem mais distante no Estado. Mas, o frete alcança até R$ 6,00 por saca e força a negociação a preços abaixo da média de mercado nesta região, segundo corretores.  

ESTRATÉGIA
Atualmente, boa parte das empresas exportadoras está adquirindo quebrados de arroz para estocar na Zona Sul e nas imediações do Porto de Rio Grande. Como as tradings têm clientes fiéis para volumes entre 300 e 400 mil toneladas (equivalente casca) por ano para este tipo de produto, estrategicamente se movimentam neste sentido. Esse movimento, associado à baixa oferta por parte dos produtores, vem mantendo o mercado aquecido. Algumas indústrias estão comprando grão para parboilização para entrega a partir de agosto e pedindo nota antecipada, para se creditar às vantagens tributárias ofertadas pelo Governo do Estado.  

EMBARQUE ZERO
Segundo as empresas consultadas, não há nenhum navio programado para embarque de arroz beneficiado ou em casca para as próximas semanas. “Consultas e interessados recebemos todos os dias. Mas, não temos como embarcar e acabamos fora do mercado”, reconhece o operador de uma empresa internacional que atua no RS.   

INFLAÇÃO
O anúncio de que a inflação de março divulgada pelo IBGE bateu na casa de 0,92% - igual a dezembro, mas a mais alta para o mês de março desde 2013 – por causa do alto custo dos alimentos, também acendeu a luz de alerta para alguns analistas. Entendem que, se o governo resolver agir mais rigorosamente para controlar a inflação, fatalmente sobrará para o arroz, que hoje não tem culpa nenhuma nesta conjuntura, provocada por hortifrutigranjeiros.  

NORMALIDADE
A expectativa dos exportadores é de que o movimento esperado para as vendas externas retome somente a partir de julho, com o enfraquecimento dos embarques de soja e o surgimento de algum espaço no porto. Todavia, lembram que há cinco dias o dólar vem apresentando desvalorização perante o Real, chegando abaixo de R$ 2,20 nesta quarta-feira. E o Real valorizado retira a competitividade do arroz brasileiro.   

REFORMA Enquanto isso, o setor arrozeiro espera que a reforma e ampliação do cais do Porto de Rio Grande traga soluções para o gargalo logístico enfrentado pelos exportadores do cereal. A dragagem do canal que atende ao terminal da Cesa e a abertura de espaço no retroporto para a manobra de caminhões para a descarga são consideradas obras fundamentais para uma exportação mais eficiente. Mas, além disso, é preciso que os terminais privados abram um espaço exclusivo para a armazenagem e embarque do cereal. Uma organização cooperativa estaria investindo para liberar a partir do segundo semestre, uma área exclusivamente para arroz dentro do Porto de Rio Grande.   

Enquanto esperam, os exportadores estão literalmente “a ver navios. De soja”. “Ao longo dos dois últimos anos, pelo uso comum de terminais privados, tivemos problemas com a contaminação de cargas de arroz por outros grãos, como soja e milho, e precisamos realizar a separação no destino sob a pena de perdermos os contratos. Isso é grave, preocupante e demonstra nossa falta de estrutura para exportar”, finaliza o dirigente. Segundo ele, a qualidade do cereal brasileiro e os preços estão sendo determinantes para manter as vendas externas. “A logística é precária”.  

Fonte: Planeta Arroz

Cadastre-se e receba nossos informativos em seu email.

Associação Brasileira das Indústrias de Arroz Parboilizado – ABIAP
Rua Chaves Barcelos, 36/605 – Fone: (51) 3227-2366 | CEP: 90.030-120 – Porto Alegre - RS