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08032017

Colheita do arroz começa embalada por expectativa de safra cheia e preços firmes

 Desta vez sem nenhum percalço maior causado pelas condições climáticas, os produtores de arroz do Rio Grande do Sul dão a largada na colheita com a expectativa de confirmação de safra cheia e com os preços sustentados pelos baixos estoques de passagem no país. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento

(Conab) mostram que, perto da virada do calendário comercial da cultura, no final do mês, sobram somente 365 mil toneladas. É o mais baixo volume observado na série histórica da autarquia, iniciada em 1999, e quase três vezes menor do que um ano atrás.

— Chegaremos ao novo ano comercial com arroz equivalente a apenas 10 dias de consumo, sendo que nos últimos cinco anos a média foi de 56 dias — lembra o analista de mercado da Safras & Mercado Elcio Bento, projeta números de estoque de passagem de 430 mil toneladas ao final de fevereiro.

A relação apertada entre oferta e demanda tem origem na frustração da safra no ano passado no Estado, maior produtor nacional. Foram 7,3 milhões de toneladas, 16% abaixo do volume produzido um ano antes, devido ao excesso de chuva que atrapalhou tanto o plantio quanto a colheita. Agora, a projeção do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indica que o Rio Grande do Sul deverá colher 8,3 milhões de toneladas. No país, a estimativa da Conab é de 11,6 milhões de toneladas, 9% acima do ano passado.

Câmbio pode impactar preços pagos ao produtor

Com os estoques enxutos, o cenário traçado por produtores, consultorias e entidades indica cotação firme mesmo durante o período de maior pressão de oferta, no auge da colheita, entre os meses de março e abril. O diretor comercial do Irga, Tiago Sarmento Barata, observa que, agora, o preço da saca de 50 quilos gira em torno de R$ 50, enquanto um ano atrás estava ao redor de R$ 38.

— É um fator importante porque partimos de patamar superior — avalia Barata, lembrando ainda que, como a produtividade será maior este ano, é oportunidade para o produtor conseguir receita maior com a lavoura.

Mas há pontos de interrogação. Um é o dólar, que em patamar bem abaixo de um ano atrás pode facilitar as importações e impedir preços melhores aos produtores, lembra Bento, da Safras & Mercado. Em meados de fevereiro do ano passado, a moeda norte-americana encostou nos R$ 4. Agora, está em torno dos R$ 3,10. Outra dúvida é o impacto da oferta nos preços no auge da colheita. Para Barata, os estoques de passagem baixos devem compensar o aumento da safra e o piso das cotações tende a ser superior ao patamar do ano passado. Para Bento, é possível que mesmo no período de maior oferta os preços se sustentem acima de R$ 40. 

O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, é um pouco mais otimista. Vê possibilidade de as cotações se sustentarem nos R$ 45. No geral, a perspectiva é de que, diante de preços mais remuneradores e rendimento maior nas lavouras, esta seja uma safra de maior rentabilidade para os orizicultores.

— Termos perspectivas de melhores margens, mas claro que isso varia de produtor para produtor. Quem colher acima de 8 mil quilos por hectare e vender acima de R$ 46, estará realizando lucro. Quem colher volume mais próximo de 7 mil quilos e comercializar por menos de R$ 46, terá prejuízo — avalia Dornelles.

À espera da hora certa para vender

Para não fazer tanta pressão nos preços, a recomendação das entidades é de que os produtores comercializem de forma escalonada, sem concentrar a oferta em poucas semanas. É a estratégia que deve ser adotada pelo produtor Maurício Barcellos, de Glorinha, um dos primeiros a começar a colheita no Estado. Após uma quebra de aproximadamente 8% ano passado, a lavoura de 230 hectares teve, nesta safra, bom desenvolvimento. Mesmo que apenas 30% da área seja destinada à produção de grão para o consumo — o restante é para semente -, a ideia é segurar a comercialização.

— A intenção é vender quando o preço estiver mais favorável — diz Barcellos, lembrando que ainda conta com a soja para fazer frente aos primeiros compromissos financeiros, se for necessário.

Para os agricultores capitalizados, a espera pelos melhores preços é usual. O problema está nos produtores mais endividados e com maior dificuldade de acesso ao crédito.

Na Fronteira Oeste, região que tradicionalmente abre a colheita, a expectativa na Agropecuária Capiati, que nesta safra dedicou 700 hectares às lavouras de arroz em duas áreas em Itaqui e São Borja, é ter resultado melhor do que do ano passado, apesar da avaliação de que a ocorrência de muitos dias nublados ou chuvosos podem atrapalhar a produtividade. Por enquanto, o rendimento esperado é de 8,5 toneladas por hectare. Uma curiosidade é que, nas lavouras da propriedade, 30% da irrigação é por pivô, e o restante por inundação, como é a regra no cultivo de arroz.

Negociação na entressafra

O planejamento da comercialização também prevê vender a maior parte da produção na entressafra. O agricultor Bernardo Alvarez conta que a intenção é vender agora cerca de 20% do volume a ser colhido, antes de a oferta crescer no Estado, no pico da colheita. O restante esperar colocar no mercado em outubro, quando acredita que as cotações podem estar entre R$ 50 e R$ 51.

— Acredito que a tendência do mercado é altista, porque os estoques estão em baixa e este ano não será uma supersafra — diz Alvarez.

Mesmo assim, não espera alta rentabilidade. As margens, entende o agricultor, estão cada vez mais esmagadas principalmente pelos custos com energia, insumos e mão de obra.

Na tentativa de conter o excesso de oferta no pico da colheita e, na ponta da demanda, fazer com que as indústria tenham fôlego para as aquisições do grão, o setor pede que o governo federal lance mão de mecanismos que ajudem a sustentar os preços. O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, lembra que já foram disponibilizados ferramentas como o Financiamento Para Estocagem de Produtos Agropecuários (FEPM) e o pré-custeio para os agricultores e, para fortalecer o capital de giro dos engenhos, o Financiamento para Garantia de Preço ao Produtor (FGPP). A liberação do pré-custeio, por enquanto, tem sido mais ágil para produtores que contam com garantias próprias, observa a Federarroz.

Consumo interno estagnado

Apesar de o arroz estar tradicionalmente presente no prato do brasileiro, o consumo interno segue estagnado, com leve viés de queda. De acordo com as projeções da Conab, será o terceiro ano consecutivo em que o volume ficará na casa das 11,5 milhões de toneladas. Nos cinco anos anteriores, em quatro superou 12 milhões de toneladas.

— O que vemos é um consumo per capita decrescente. As pessoas não têm muito tempo de almoçar em casa. Mas isso vem de certa forma sendo compensado pelo crescimento populacional. Havia a expectativa de que, com a crise, se aumentasse o consumo, principalmente nas regiões mais pobres — observa o diretor comercial do Irga, Tiago Barata.

O analista de mercado da Safras & Mercado Elcio Bento lembra que, logo que ganharam força os programas sociais do governo federal, o consumo interno ganhou sustentação, mas depois o aumento da renda da população fez o brasileiro diversificar as opções de alimentação. Para voltar a crescer a demanda interna, entende o analista, seria necessário mudar a cultura de consumo, seja trabalhando o marketing como o uso maior do cereal em rações, por exemplo.

México vira oportunidade de exportação

Válvula de escape nos últimos anos, as exportações estão hoje dificultadas pelas cotações internacionais abaixo do preço praticado no mercado interno. Um mercado que os arrozeiros do Brasil estão de olho é o México. Uma missão do país da América do Norte é aguardada no Brasil na segunda quinzena de março. Oficialmente, apenas soja e carne bovina e suína estão na pauta, mas líderes do setor produtivo e a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) tentam incluir o cereal nas conversações. No início do mês, no entanto, o próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi, referiu em um evento em São Paulo a possibilidade de o arroz também ser um assunto posto à mesa.

Consumo elevado do grão é atrativo

O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, lembra que o México é o segundo maior consumidor de arroz da América Latina — suplantado apenas pelo Brasil — e tem como principal fornecedor os Estados Unidos. Como as relações com o vizinho do norte estão estremecidas em virtude da intenção do presidente dos EUA, Donald Trump, de construir um muro na fronteira para conter a imigração ilegal, os arrozeiros gaúchos vislumbram a oportunidade de abocanhar um bom naco do mercado mexicano, que compra cerca de 1 milhão de toneladas por ano. Importadores entraram em contato com a Federarroz no início do mês informando que esperavam sinalização brasileira para abrir negociações. As entidades falam na possibilidade de garantir de 20% a 40% desse montante.

— Enquanto eles constroem muros, nós queremos construir pontes — diz Dornelles, crente de que o mercado mexicano poderia ser aberto ainda neste ano.

Para 2017, as estimativas oficiais de exportação de arroz são de 1,1 milhão de toneladas, mesmo volume importado do Mercosul. Um impulso maior para os embarques poderia vir do câmbio.

— O mercado internacional está com viés de baixa pela dependência do grande comprador que é a China, hoje bem estocada — diz o diretor comercial do Irga, Tiago Barata.

Elcio Bento, da Safras & Mercado, lembra que, nos últimos anos, as exportações superiores ao volume importado ajudaram a enxugar o mercado e a reduzir os estoques, cenário que ficou ainda mais apertado com a quebra da safra, ano passado. Com isso, as importações subiram.

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