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13082012

Fatores altistas mantêm firmes os preços do arroz em casca
olheita 2012/13 pode ser menor e isso já está afetando o mercadoFoto: Divulgação

 Baixa oferta, bom desempenho nas exportações, renegociações de dívidas, previsão de baixo estoque de passagem e expectativa de redução de área nas safras do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul, além dos países do Mercosul, fortalecem a trajetória de alta do arroz em casca no Brasil

Após acumular uma alta de 6,24% em julho, os 12 primeiros dias de agosto foram marcados por preços firmes e alta representativa nos preços médios do arroz em casca no Rio Grande do Sul, segundo o indicador de preços para o Rio Grande do Sul Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias - BM&FBovespa, que alcançou R$ 31,88 no último dia 10 de agosto, sexta-feira, num salto de 4,01% em sete dias úteis. O indicador tem por referência a saca de 50 quilos (58x10) colocada na indústria, com pagamento à vista. Em dólar, a saca equivalia, pela cotação do dia 10, a US$ 15,82. Com isso, o mercado brasileiro aos poucos vai se tornando mais atraente às importações do Mercosul e perde competitividade para exportar, o que é preocupante.

O cenário positivo para o arroz em casca é formado, em parte, pela baixa oferta por parte dos produtores, principalmente após a prorrogação dos vencimentos de financiamentos de custeio e investimentos e outras parcelas prorrogadas, e a expectativa do anúncio de um plano de renegociação das dívidas setoriais, até outubro, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O bom desempenho nas exportações em julho (e nos cinco primeiros meses do ano comercial), a previsão divulgada pela Conab do mais baixo estoque de passagem dos últimos cinco anos em 28 de fevereiro de 2013 e a expectativa de redução da safra do Mercosul e, também no Rio Grande do Sul, em razão do clima, e no Mato Grosso, pela baixa liquidez do arroz, ajudam a compor a conjuntura altista.

No mercado livre gaúcho a referência de cotações entre R$ 30,00 e R$ 32,00 nas principais praças, com as variedades nobres alcançando R$ 36,00 no Litoral Norte (64x6) e R$ 32,00 (60x8) na Fronteira-Oeste. Em Santa Catarina a média de preços também elevou-se para acima de R$ 29,00 nas regiões produtoras e alcançou R$ 30,00 no Sul do Estado. No Mato Grosso, a falta de produto e o baixo interesse de produtores que ainda o tem, elevou as cotações para R$ 43,00, em média, com alta de R$ 1,00 em uma semana.

O governo federal também agiu esta semana com uma medida de apoio às exportações, lançando os editais de dois leilões de troca de arroz em casca por arroz beneficiado, que soma 45 mil toneladas de grão em casca. O produto faz parte do Programa de Doações Humanitárias do governo brasileiro, que deve levar 300 mil toneladas para países sob ameaça de sua segurança alimentar.

SAFRA

Uma das novidades na semana que passou foi a publicação do penúltimo levantamento de safra 2011/12 pelo governo federal. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil está terminando de colher uma safra de 11,60 milhões de toneladas de arroz em casca, o que indica uma redução de 14,7% no comparativo com a temporada 2010/11 para o volume e 13% em área. O estudo indica um estoque de passagem de 1,93 milhão de toneladas em 28 de fevereiro de 2013, o menor em cinco safras, contando estoques públicos e privados. Um dos pontos de discórdia, e que merecerá correção no próximo levantamento, presume-se, é o volume exportado. Enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) divulgou esta semana a exportação de 836 mil toneladas de arroz em casca em cinco meses do ano comercial (março a julho), a Conab ainda estima uma exportação total de um milhão de toneladas de arroz (base casca) pelo Brasil até fevereiro de 2013. A média mensal, portanto, cairia de 167 mil toneladas por mês, de março a julho, para algo em torno de 25 mil toneladas.

E por falar em exportações, o Mdic divulgou na última quinta-feira (9/8) o desempenho das importações e vendas externas realizadas pelo Brasil em julho. No Rio Grande do Sul a Federarroz divulgou a previsão preliminar de uma queda de 14,5% na área plantada, de 1,05 milhão para 900 mil hectares. Cerca de 90% da área reduzida será destinada ao cultivo de soja na várzea, que na safra passada alcançou 150 mil hectares cultivados, segundo o Irga.

EXPORTAÇÕES

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) informou que em julho o Brasil exportou 134,1 toneladas de arroz em base casca, com aumento do volume de quebrados para a África, que representou quase metade dos embarques, mas uma queda superior a 7% no desempenho sobre o mês de junho. De março/12 a julho/12, o Brasil acumula 836 mil toneladas expedidas. A balança comercial mensal continua com superávit, pois o País adquiriu no exterior 76,5 mil toneladas de arroz (também em base casca) em julho, quase a totalidade do Mercosul. Em cinco meses de ano comercial, os brasileiros receberam 458,2 mil toneladas de arroz estrangeiro. 

A Argentina representa praticamente 40% das compras, seguida pelo Paraguai, com um terço dos volumes. O Uruguai tem encontrado terceiros mercados, principalmente no Oriente Médio e na América Latina, e evitado jogar um volume maior de grão no Brasil, ciente de que uma baixa nos preços do principal consumidor americano influenciará com baixa em seu mercado. A lição, ao que parece, ainda não foi aprendida por argentinos e paraguaios. 

O setor vive grande expectativa para o comportamento das compras externas a partir de agosto com a entrada em vigor da lei que determina a incidência de PIS/Cofins (taxa de 9,25%) sobre o arroz importado do Mercosul. Tanto que representantes da Embaixada da Argentina estiveram reunidos com o deputado federal Jerônimo Goergen (PP/RS), autor da emenda que retomou a incidência do imposto sobre o arroz importado, para buscar maiores informações, dimensionar o impacto sobre o produto e buscar soluções negociadas para esta questão. Goergen fez uma explanação sobre as assimetrias do Mercosul e as vantagens competitivas do arroz importado, além da pressão que estes excedentes causam no mercado interno, afetando os preços pagos aos produtores brasileiros.

EXPECTATIVA

Os analistas consultados por Planeta Arroz esta semana consideram que ainda há fôlego no mercado para alta nos preços, em razão da conjuntura nacional muito favorável a quem tem estoques de arroz. Ainda assim, espera-se para os próximos dias um aumento mais significativo das importações, dificuldades maiores para as exportações, levando em conta as cotações internas, e um quadro mais claro de intenção de plantio, principalmente no Rio Grande do Sul. Qualquer atraso no plano de renegociação das dívidas arrozeiras pelo governo federal, ou movimentação para liberar estoques, também pode afetar este mercado. Por hora, o agricultor está no comando.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica o preço referencial de R$ 31,20 para a saca de arroz em casca (58x10) no livre mercado gaúcho, com valorização de 70 centavos sobre a semana anterior. A saca de 60 quilos de arroz branco é cotada a R$ 65,50 sem ICMS/FOB. Já os quebrados de arroz mantiveram os preços, com o canjicão referenciado em R$ 36,00 e a quirera em R$ 32,00, ambos em sacas de 60 quilos (FOB/RS). O farelo de arroz, FOB/Arroio do Meio (RS), segue cotado a R$ 330,00 a tonelada.

 

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